
Foram necessárias três participações em Jogos Olímpicos para Robson Conceição alcançar o sonho dourado. A caminhada foi longa, dura, mas gloriosa. Aos 27 anos, depois de chegar na Rio-2016 como maior favorito a medalha para o Brasil no boxe, o baiano confirmou a expectativa, a superou e conquistou a medalha de ouro inédita para o país de forma espetacular. Nesta terça-feira, pela final da categoria até 60kg, ele venceu o francês Sofiane Oumiha na decisão unânime dos juízes e conquistou a medalha para o país na modalidade.
A torcida que lotou a arena recebeu o pugilista sob o canto de “o campeão chegou”, tamanha a confiança. O brasileiro não sentiu o peso nas costas. Pelo contrário. Trouxe a torcida como aliada, pressionou o francês, um jovem de 21 anos, desde o início da luta e logo abriu vantagem nos rounds iniciais. Agressivo, mas consciente, o pugilista tupiniquim mostrou uma esquiva impecável e lutou com estratégia. Com dois rounds vencidos com folga, ele apenas administrou a última etapa com muita movimentação e boxeando de forma segura.
Treinado pelo renomado Luiz Dórea, na academia Champion, em Salvador (BA), o lutador revelou ter sido “espancado” nos treinos preparatórios para o Rio-2016. Crescido na favela, mais do que as pancadas que levou nos treinos, aquelas que a vida lhe acertou serviram para que seu lema “sou brasileiro e não desisto nunca” fizessem sentido na Rio-2016. Em suas duas primeiras participações em Olimpíada (Pequim-2008 e Londres-2012), ele foi eliminado ainda na primeira fase. As frustrações se tornaram lições valiosas. O escuro da decepção ganhou uma cor dourada. Enfim.
Baiano, de jeito pacato, Robson teve humildade durante toda a competição. Se a cada uma das três lutas que o levaram até a final seu favoritismo era confirmado e exaltado, o lutador sempre recusou o clima de “já ganhou” e afirmou seguir em frente “na humildade”. Assim, na humildade e sem desistir, Robson Conceição mostrou que sempre vale a pena tentar de novo. Ele não desistiu. Sorte tupiniquim.
Lancenet
