Treinador brinca com revelação da escalação e diz que equipe está pronta
HOUSTON, TX (EUA) – O técnico Carlo Ancelotti manteve o mistério sobre a escalação da Seleção Brasileira para o duelo contra o Japão, nesta segunda-feira (29), pelo primeiro mata-mata da Copa do Mundo. Em entrevista coletiva concedida neste domingo (28), em Houston, o treinador evitou confirmar oficialmente os 11 titulares, mas a tendência é que repita a equipe que venceu a Escócia por 3 a 0, em Miami, na última quarta-feira (24).
Dessa forma, o Brasil deve entrar em campo com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Vini Jr., Rayan e Matheus Cunha.
Ao ser questionado se os jogadores conseguiriam dormir sem saber quem começará a partida, Ancelotti discordou da preocupação e respondeu em tom descontraído.
— Ia dormir. Você pensa que o jogador não dorme bem? O jogador que vai jogar sabe. Quem não vai jogar não sabe. É uma coisa individual. O jogador dorme bem, muito bem. Melhor do que o treinador – disse o treinador, arrancando gargalhadas dos presentes na coletiva.
O italiano também brincou quando foi perguntado sobre a definição da equipe titular. Sem revelar a formação, afirmou que prefere manter a dúvida até momentos antes da partida.
— Não sei. Não quero dar a escalação. Não quero que vocês fiquem tranquilos. Vou pensar na escalação perfeita para amanhã (segunda-feira, 29). Se eu der a escalação agora, vocês vão ficar tranquilos. Tenho que pensar em vocês também.
Outro assunto abordado foi Neymar. Recuperado fisicamente após o período de tratamento, o camisa 10 entrou em campo por cerca de 15 minutos na última partida e pode ganhar uma minutagem maior diante dos japoneses. Segundo Ancelotti, a utilização dependerá das circunstâncias do confronto.
— Neymar está evoluindo muito bem, progredindo. Foi bem na última semana. Pena que não pôde treinar durante todo o período em que esteve afastado. Pode jogar mais de 15 minutos, está bem. Depende do contexto do jogo e da evolução da partida.
Apesar do mistério sobre a escalação, tudo indica que Ancelotti manterá a base da equipe que apresentou boa atuação diante da Escócia. O Brasil busca uma vaga nas quartas de final contra um Japão que chega embalado e tratado pelo treinador italiano como um adversário forte e extremamente competitivo.
Outros trechos da coletiva de Carlo Ancelotti
ANCELOTTI SE DESTACA EM MATA-MATAS
— Isso não é um mata-mata, é um mata. Não tem a volta. O Brasil tem a sorte de contar com jogadores com muita experiência nesse aspecto. Em nível de experiência, o time é forte e os jogadores sabem como preparar esse jogo. Estou confiante nesse aspecto.
CONVERSA COM MATHEUS CUNHA E BRUNO GUIMARÃES
— A mobilidade é assim. A posição do Cunha no último jogo nos deu vantagem. É uma posição que não é bem definida no campo, para não dar muitas referências ao adversário. Bruno, Paquetá e Cunha fizeram essa troca muito bem nos últimos dois jogos.
JAPÃO MENOSPREZA O BRASIL: VOCÊ USA COMO MOTIVAÇÃO
— Não falo do que se diz. Estamos focados na qualidade do rival, em nos preparar para o jogo, criar problemas para eles e evitar problemas para nós. A preparação é assim. O jogo mental não vamos trabalhar nisso.
JOGO MAIS FÁCIL PARA O BRASIL
— Não concordo. Cada jogo é difícil, muito difícil. Há muitas coisas em que temos que pensar, muita pressão. Temos que pensar que vamos fazer bem. Se não fizermos, estaremos em casa. Sigo convencido de que, até agora, não há um favorito claro. Pode ser que algumas equipes tenham feito mais do que outras na primeira fase, mas um favorito eu não vejo. Será um Mundial equilibrado e competitivo.
JAPÃO E SUA FORÇA
— O Japão é muito competitivo. É o número 17 do mundo. Bateu a Inglaterra em março. É um jogo como uma final. Está forte. Somos conscientes de que essa partida precisa ser jogada muito bem. Lembramos que o Japão nos ganhou em novembro, naquele jogo. Ganhou jogando muito bem no segundo tempo. Obviamente, levamos isso em consideração. Vamos respeitar e tomar todos os cuidados.
A TRADIÇÃO DO BRASIL PODE PESAR
— O futebol mudou. Não há equipe desorganizada. Todo mundo estuda, todo mundo trabalha, todo mundo aprende. Pode ser que uma equipe tenha menos qualidade individual, porque o talento faz parte da genética. Mas equipe desorganizada ou mal preparada fisicamente não existe. Todos lutam, todos jogam bem. A intensidade e a organização defensiva de todas as equipes são muito boas.
ESTILO DE JOGO DO JAPÃO
— Esse é um aspecto importante para o jogo de amanhã. A saída de bola do Japão, quando eles conseguem superar a pressão, é muito perigosa. Estamos avaliando qual tipo de pressão vamos fazer. Temos considerado esse aspecto desde o início da preparação.
O BRASIL ESTÁ PRONTO
— A equipe está concentrada, preparada para tudo o que pode acontecer no jogo de amanhã. Prorrogação, disputa por pênaltis… Estamos preparados para todos os aspectos.
Retirado do Lancenet
Carlo Ancelotti durante treino da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
