Flamengo é absolvido por confusões no entorno do Maracanã no clássico contra o Vasco

Clube corria risco de perder mando de campo em julgamento realizado nesta quinta no STJD; um torcedor morreu e outro perdeu a visão em confrontos do lado de fora do estádio

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) absolveu o Flamengo das confusões nos arredores do Maracanã antes e depois do clássico contra o Vasco, no último dia 3 de maio (a partida válida pelo Campeonato Brasileiro terminou empatada por 2 a 2). Um homem morreu e outro perdeu a visão de um dos olhos após ser atingido por uma bala de borracha.

Mandante do jogo, o Flamengo havia sido enquadrado no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que fala em “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto”, e corria risco de multa e perder mandos de campo. Em julgamento nesta quinta-feira, a 3ª Comissão Disciplinar decidiu, por unanimidade, que a denúncia é improcedente para responsabilizar o clube pela segurança fora do estádio.

A procuradoria chegou a sugerir que a responsabilização do clube poderia considerar fatos que ocorrem em um raio de 5 km do estádio, com base na Lei Geral do Esporte. Mas a defesa do Flamengo, feita pelo advogado João Marcello Campos, alegou que esse perímetro é usado para responsabilização individual, por atos cometidos por algum torcedor.

— Na Lei, é dever (do clube) pedir ajuda da segurança pública para que conduza a segurança, participar e colaborar com o plano que é de quem organiza a competição e proteger a segurança de todos os entes privados que estão dentro do estádio. Essas são as normas em vigor. (…) Houve uma tentativa de elaboração de enunciados da justiça desportiva que dizia: em um raio de 5.000 metros eu vou punir o clube mandante. Essa tentativa passou em primeira instância, mas quando chegou no plenário ela foi rejeitada. A Procuradoria está requentando uma tese que, num conselho de Justiça Federal, foi rejeitada por pessoas que compõem a justiça desportiva — argumentou Campos.

As confusões ocorreram principalmente após o fim da partida, quando integrantes de torcidas organizadas dos dois clubes entraram em confronto nos arredores do estádio. Segundo a Polícia Militar, a briga teve início na rampa de acesso à estação de metrô e se espalhou em direção à região conhecida como Favela do Metrô, chegando à Rua Oito de Dezembro. Para conter a violência, policiais usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Vídeos feitos por testemunhas mostram cenas de agressões.

Retirado do Globoesporte.com

Vista aérea do Maracanã — Foto: AGIF

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