Brasil faz melhor campanha da história da ginástica em Mundiais com seis medalhas em uma única edição, e Rebeca se torna 11ª da história a medalhar em todos os aparelhos
Rebeca Andrade escreveu de vez seu nome na história da ginástica neste domingo. Finalista em dois aparelhos, a brasileira abriu o último dia de competições na Antuérpia com bronze na trave, único que faltava no currículo. Com uma apresentação quase sem erros, a brasileira ficou atrás apenas da chinesa Yaqin Zhou, com a prata, e Simone Biles, com o ouro. Na apresentação do solo, levantou a arquibancada na arena Sportpaleis com a nova coreografia, levando mais uma prata para casa, e com a honra de dividir o “pódio do sonho” ao lado de Flávia Saraiva, com o bronze. Simone Biles levou o ouro no solo e na trave, somando 23 ouros em mundiais.
O Brasil encerrou a participação com número histórico: seis medalhas no total, com um ouro (salto), três pratas (individual geral, solo, equipes) e bronze (trave e solo). É também a primeira vez que duas brasileiras dividem o mesmo pódio num aparelho.
Final do solo
Na final do solo, Flávia Saraiva foi a segunda no aparelho e trouxe o Brasil na sua música. A atleta colocou toda a sua energia, com acrobacias com execução limpa e aterrisagens cravadas, com apenas um desequilíbrio na chegada da terceira passada. A excelente apresentação se refletiu na nota, com 13,966 pontos, deixando pra trás o mal desempenho na final do individual geral, quando a atleta cometeu duas quedas e acabou na 15ª colocação. Flavinha chegou a liderar a prova, mas terminou com o bronze.
Simone Biles assumiu a liderança com 14,633 pontos, a mesma nota da classificatória, quando foi líder e garantiu o hexa no solo. Rebeca Andrade, embalada por Beyoncé e Anitta, apresentou um solo com alguns pequenos erros nas acrobacias, ficando na segunda posição, com 14,500 pontos. A brasileira foi muito ovacionada pelos fãs na arquibancada, com muitos brasileiros presentes.
Recordes de Rebeca e do Brasil
São vários recordes quebrados na edição de 2023 do Mundial de Ginástica. O primeiro foi em número de medalhas numa mesma edição ( seis), quebrando o recorde do Brasil em Liverpool, em 2022, quando havia conquistado três. As cinco de Rebeca a colocam no seleto grupo de ginastas mundiais que ao longo da carreira conquistaram medalha em todos os aparelhos, na 11ª colocação, atrás de lendas como Larisa Latynina e Olga Korbut, da antiga União Soviética, de Alyia Mustafina, da Rússia, e uma posição apenas atrás de Simone Biles.
Dentro do grupo de atletas brasileiros mais medalhados da história numa mesma edição de Mundial, Rebeca conquistou o mesmo número de medalhas que César Cielo no Mundial de piscina curta, em 2014, no Catar. Ana Marcela Cunha segue sendo o maior nome feminino em número total de medalhas, com 16 em campeonatos mundiais de águas abertas. São sete de ouro, duas de prata e sete de bronze em oito edições de 2010 para cá.
Desempenho do Brasil na Antuérpia
O Brasil começou escrevendo seu nome na história na final por equipes, na última quarta, ao conquistar a primeira medalha, atrás apenas dos Estados Unidos, com a prata inédita. O conjunto formado por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Júlia Soares, Lorrane Oliveira e a reserva Carolyne Pedro garantiu 165.530 pontos nos quatro aparelhos. A França ficou com o bronze. Isto porque havia conquistado a vaga olímpica para Paris 2024 nas qualificatórias.
Por décadas, uma medalha por equipes em um Mundial era vista com um sonho distante, algo que só estava ao alcance de potências como Estados Unidos, Rússia, China e Romênia. Guiadas por Rebeca e Flavinha, as brasileiras mostraram já no ano passado que chegaram a um novo patamar, o de equipes medalhistas. Por menos de um ponto, o bronze escapou no Mundial de Liverpool. Na Bélgica, com o reforço de Jade, a medalha inédita veio.
Pódio da final no solo na Antuérpia: Simone Biles (ouro), Rebeca Andrade (prata) e Flávia Saraiva (bronze) — Foto: Reuters
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