Medalhista de ouro no Uzbequistão, judoca é recebida por familiares e companheiros de treino do Flamengo, que cantavam “Rafa, amor e paixão”
Após conquistar a segunda medalha de ouro no Mundial de Judô, em Taskhent, no Uzbequistão, quando venceu a japonesa Haruka Funakubo com um lindo waza-ari na final, no último dia 8, Rafaela Silva voltou ao Rio de Janeiro, neste sábado (15). A bicampeã mundial (na categoria até 57kg) desembarcou no Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, às 11h05 (de Brasília), e foi recebida por familiares e amigos do Flamengo, clube pelo qual compete nacionalmente, que entoavam o doce canto de “bicampeã” e “Rafa, amor e paixão”, uma adaptação da música da torcida rubro-negra.
Já em território carioca, Rafaela Silva comemorou a conquista de mais uma medalha de ouro em um Mundial depois de quase dez anos após o primeiro título, em 2013.
— É um momento muito especial para mim. Depois de poder voltar a treinar e competir, tive um bom desempenho durante a temporada, cheguei confiante para esse campeonato mundial e ter essa recepção aqui com a Nação tem sido muito especial para mim. Especial por causa do desempenho, em uma competição muito forte, com atletas medalhistas das Olimpíadas de Tóquio e do Mundial do ano passado, então me mostra que posso chegar aos próximos Jogos Olímpicos e conquistar mais uma medalha – disse a atleta do Flamengo ao ge.
Em Taskhent, no Uzbequistão, Rafaela Silva mostrou toda sua superioridade na categoria até 57kg. A brasileira estreou com um Ippon contra a anfitriã Nilufar Ermaganbetova e, nas oitavas de final, bateu a búlgara Ivelina Ilieva com um Ippon no golden score. A campeã olímpica na Rio 2016 aplicou mais um Ippon no Mundial de 2022 e eliminou a ucraniana Daria Bilodid nas quartas de final. O golpe perfeito apareceu mais uma vez na semifinal, quando Rafaela Silva derrotou a israelense Timna Nelson-Levy. E, na decisão, conquistou a medalha de ouro com um waza-ari em cima da japonesa Haruka Funakubo.
— Eu fui bem confiante para a competição porque eu tive bons resultados durante a temporada, fiz ótimos treinos na França com atletas que estariam no Mundial e fiquei ainda mais confiante, então eu vi que era possível conquistar uma medalha no Uzbequistão. Foi um momento de muita emoção porque muitos atletas passam por momentos complicados, com lesões na carreira, ficam um tempo sem treinar e não conseguem voltar em alto nível. Então eu consegui provar que posso competir novamente em alto nível, buscar a vaga olímpica e, quem sabe, trazer mais medalhas de ouro para a nação.
De origem humilde, na comunidade da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, Rafaela Silva está acostumada a superar desafios. E para o Mundial do Uzbequistão não foi diferente. A brasileira ficou dois anos suspensa por doping, no fim de 2019, ficando fora dos tatames por dois anos, o que lhe custou a presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. O retorno aos treinos e às competições aconteceu no fim do ano passado, com a prata no Grand Slam da Hungria, o bronze no Grand Slam da Geórgia e o terceiro lugar no Pan-Americano.
— Sou muito competitiva desde criança, então, quando as pessoas falam que a Rafaela está acabada, eu cresço ainda mais para provar, não só para eles, mas para mim mesma, que a Rafaela ainda tem muito a entregar. Ouvi e li muito nas redes sociais, as pessoas duvidando que eu poderia voltar a competir em bom nível depois de dois anos. E está aqui o resultado.
Retirado do globoesporte.com
Rafaela Silva desembarca no Rio de Janeiro com a medalha de ouro no Mundial do Uzbequistão — Foto: Marcelo Barone
